Acredita-se que o Tarô Cigano tenha sido constituído a partir de inúmeras ciências esotéricas, sendo o resultado de uma somatória de conhecimentos trazidos do Tarô, Numerologia, Astrologia, Cabala entre outras. Segundo sua Tradição, os primeiros tarôs ciganos foram criados e fabricados à mão e passados de mãe para filha, juntamente com o conhecimento dos mesmos, para que a continuidade desse legado permanecesse intacta. Podemos encontrar no Tarô Cigano imagens muito definidas de forte ligação do homem com a natureza e de uma forma geral, a influência que estas forças exercem em sua vida e a síntese de um povo que respeita e acredita nas manifestações e interferências espirituais do Universo. Também sabemos da necessidade que este povo sempre teve de manter-se enraizado em suas tradições, lendas e costumes próprios, tecendo fios de uma história cercada de muita magia e encantamento, mas também de muitos mistérios.
O Tarô Cigano é parte desse caminho e talvez este seja o principal motivo de terem um oráculo próprio, que pudesse conter suas crenças, valores espirituais e sabedoria profunda, diferenciando-o dos oráculos utilizados pelos gadjôs. Muitos afirmam que o Tarô Cigano é uma síntese do baralho de Tarô tradicional, contendo em suas imagens e símbolos as mensagens dos Arcanos Maiores e Menores, porém fica claro ao estudioso dedicado deste oráculo, que podemos encontrar correlações do Tarô Cigano com diversas fontes de conhecimento diferentes, indicando que essas cartas também são o resultado da peregrinação de um povo aprendeu muito sobre a vida com centenas de culturas e povos por onde passaram. Acredito também que as cartas ciganas sejam uma das contribuições mais importantes deste povo deixadas ao mundo, já que hoje pessoas pertencentes à Tradição ou não, podem recorrer à sua sabedoria e evoluírem em sua jornada pessoal.
É claro que aos ciganos devemos atribuir os méritos de todo esse conhecimento espiritual acerca da vida do homem, porém a propagação, aprofundamento e difusão do Tarô Cigano entre os gadjôs, deve-se a uma grande estudiosa das ciências ocultas do século XIX – Madame Lenormand. Marie-Anne Adelaide Lenormand, era francesa e dedicou sua vida aos estudos das altas ciências esotéricas entre elas o Tarô, a Numerologia, Alquimia, Astrologia, Cabala, Mitologia e, além de freqüentar a alta sociedade francesa de sua época, também esteve entre os ciganos onde teve acesso a um legítimo Tarô utilizado por eles. Percebendo a diferença deste oráculo com os Tarôs tradicionais, Madame Lenormand decidiu-se como estudiosa, aprofundar seus conhecimentos e aprimorar aquele jogo de cartas, sendo publicado anos mais tarde e hoje conhecido como Baralho Petit Lenormand ou simplesmente Baralho Cigano.
Madame Lenormand faleceu aos 71 anos de idade em Paris. E em vida foi altamente respeitada como uma grande bruxa de seu tempo, sábia e conhecedora das ciências ocultas e do misticismo. Sua fama era enorme, pois seus conselhos espirituais e previsões ajudaram na vida de pessoas ilustres daquela época. Napoleão Bonaparte, sua esposa Joséphine de Beauharnais, o cantor Garat, Jean Paul Marat e o pintor David foram algumas dessas personalidades das quais recorriam às previsões de Madame Lenormand. Vale lembrar ainda que as obras, escritos e estudos de Madame Lenormand, bem como seus baralhos (Petit Lenormand e Grand Jeu de Mlle. Lenormand) só voltaram a ser publicados cinquenta anos depois de sua morte. O motivo desses estudos ter desaparecido nesse período é desconhecido e data-se que só a partir de 1893 é que todo este conhecimento voltou a circular pela Europa e todo o Mundo.
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